Pet perdido

Cachorro ou Gato Atropelado na Rua: O Que Fazer

Achou ou atropelou um cachorro ou gato? Veja como socorrer sem se arriscar, para quem ligar, quem paga o veterinário e como avisar o tutor.

Neste artigo

Resposta rápida: Cuide primeiro da sua segurança: ligue o pisca-alerta e só chegue perto com o trânsito parado. Mexa o mínimo possível no animal, pressione o sangramento com um pano limpo e leve à clínica veterinária mais próxima, ou ligue para a central da prefeitura e pergunte se a cidade tem resgate. Não dê remédio. Na clínica, peça a leitura de microchip e fotografe o animal e o local: é provável que exista um tutor procurando por ele agora, e o seu aviso é o único caminho para ele saber.

Maquete de uma rua ao anoitecer: um homem adulto ajoelhado no meio-fio, com o celular no ouvido, apoia a mão num cachorro caramelo deitado no asfalto, ao lado de um carro azul parado com os faróis acesos

Um cachorro caído na beira da rua, ou o barulho seco embaixo do próprio carro. Nos dois casos a dúvida é a mesma: o que eu faço agora, e de quem é esse animal. As duas perguntas têm resposta, e a primeira não pode esperar pela segunda.

O que fazer no primeiro minuto?

Proteja a si mesmo antes de proteger o animal. Um segundo acidente não ajuda ninguém.

  1. Pare em local seguro e ligue o pisca-alerta. Em rodovia, pare no acostamento, longe da curva.
  2. Só entre na via com o trânsito parado. Se não for possível, sinalize de longe e peça ajuda a outra pessoa para alertar os carros.
  3. Chegue devagar e de lado. Animal com dor morde e arranha quem ele mais gosta. Fale baixo e não aproxime o rosto.
  4. Tire o animal da pista se ele estiver ao alcance sem risco, movendo o corpo o mínimo possível.
  5. Ligue para a clínica veterinária mais próxima e avise que está a caminho com um atropelado.

Em rodovia com tráfego rápido, não atravesse a pista. Avise a concessionária ou a polícia rodoviária, informe o quilômetro e fique em segurança.

Como mexer no animal sem piorar a lesão?

Segurando com cuidado, mantendo imóvel a parte machucada e sem tentar consertar nada.

A médica-veterinária Paloma Calerio dos Santos, clínica geral e intensivista, deu orientações de primeiros socorros à agência EdiCase, em texto publicado pelo jornal O Povo em julho de 2024. As que servem aqui:

  • Suspeita de fratura: pegar o animal com cuidado, para que não sinta dor, deixando o local da fratura o mais estável e imóvel possível, e ir ao veterinário.
  • Sangramento: fazer compressão no local com um pano limpo e levar rapidamente a um hospital veterinário. Se o sangue sair em jatos, ela orienta um torniquete acima da lesão.
  • Remédio: não medicar por conta própria.

Para o transporte, uma tábua, uma bandeja, um tapete de carro ou um casaco esticado servem de maca. Um cão pequeno ou um gato vão melhor dentro de uma caixa. No carro, alguém vai ao lado do animal, e não ao volante.

Animal que anda depois do atropelamento também precisa de veterinário. Lesão interna não aparece por fora.

Para quem ligar se eu não posso levar?

Para a central de atendimento da prefeitura, perguntando se a cidade tem resgate de animal ferido. Não existe um serviço nacional para isso, e cada município organiza de um jeito.

Curitiba é um exemplo de como funciona onde o serviço existe. Segundo reportagem da Gazeta do Povo publicada pela Tribuna do Paraná em novembro de 2019, a ambulância de resgate animal da prefeitura atendia chamados pela Central 156, todos os dias, das 7h30 às 16h30. O atendimento era só para urgências de cães e gatos de rua, sem tutor, e vítimas de atropelamento. A ligação não era anônima: quem chamava deixava o telefone para a equipe de triagem. Depois da clínica conveniada, o animal seguia para um centro municipal e para adoção. As regras podem ter mudado desde então, então confirme na central.

Dois detalhes desse exemplo valem para qualquer cidade:

  • Pergunte quem o serviço atende. No exemplo de Curitiba, só animal sem tutor.
  • Há horário. À noite e de madrugada, o caminho quase sempre é a clínica 24 horas.

Se a prefeitura não tiver resgate, pergunte pelo serviço de zoonoses ou de bem-estar animal e por protetores da região, que conhecem as clínicas com preço social.

O motorista é obrigado a socorrer o animal que atropelou?

Depende da cidade. A lei nacional de trânsito não trata do animal, e alguns municípios criaram regra própria.

O Código de Trânsito Brasileiro prevê o socorro à vítima entendida como pessoa, segundo a Agência Câmara de Notícias. Em 2019, o Projeto de Lei 1362/19 propôs incluir no código a obrigação de socorrer o animal atropelado ou de pedir ajuda à autoridade, quando não houver risco para o condutor. As fontes consultadas para este artigo não registram a aprovação do projeto.

Na cidade de São Paulo, a regra existe. A Lei 17.619, de 20 de agosto de 2021, trata como infração administrativa o motorista ou o passageiro de veículo automotor, ciclomotor, motocicleta ou bicicleta deixar de prestar socorro imediato ao animal atropelado. Quando o socorro direto não for possível, por justa causa, a pessoa deve pedir auxílio a uma autoridade pública. A descrição é da Câmara Municipal de São Paulo, que não cita valor de multa na notícia sobre a sanção.

Onde não há lei local, a obrigação continua sendo a de não deixar o animal sofrendo na pista. E parar tem um efeito prático que nenhuma lei descreve: é a única forma de alguém ficar sabendo o que aconteceu com aquele bicho.

Quem paga o veterinário?

Na prática, quem leva. A conta da clínica costuma sair em nome de quem assina a entrada.

Um caso de Recife mostra o tamanho que isso pode ter. Em outubro de 2024, um motorista que vinha atrás viu um cão que vivia na rua ser atropelado na Zona Sul, parou e o levou a uma emergência veterinária, segundo a coluna Folha Pet, da Folha de Pernambuco. Os primeiros socorros, com limpeza, atendimento e tala, custaram R$ 1.733,93. A cirurgia foi orçada em R$ 3.520, fora radiografias e internação. Ele organizou uma arrecadação para pagar.

Para não ser surpreendido:

  1. Peça o orçamento antes de autorizar cada etapa. Estabilizar o animal é uma coisa, operar é outra.
  2. Diga na recepção que o animal foi achado na rua e pergunte se há tabela para resgate ou indicação de onde exista.
  3. Guarde notas e recibos. Se o tutor aparecer, é o registro do que foi gasto e de como o animal chegou.
  4. Peça ajuda cedo. Protetores e grupos do bairro costumam se mobilizar mais rápido com foto, orçamento e nome da clínica.

Como descobrir se o animal tem dono?

Supondo que tem, até prova em contrário. Um cão bem nutrido, de pelo cuidado ou com marca de coleira no pescoço fugiu de alguma casa, e alguém pode estar ligando para clínicas neste momento.

  1. Procure coleira, plaquinha e telefone. Veja o que costuma vir gravado na plaquinha e ligue na hora.
  2. Peça a leitura de microchip na clínica, na mesma visita.
  3. Fotografe o animal e anote o local e o horário do atropelamento.
  4. Avise nos grupos do bairro onde ele foi encontrado, com foto, rua e nome da clínica.
  5. Deixe o seu contato na clínica e peça que anotem a descrição do animal. O tutor que procura um pet sumido liga para as clínicas da região, como orienta o guia sobre cachorro perdido que pode ter sido atropelado.

O restante do caminho, incluindo como confirmar que a pessoa que apareceu é mesmo o tutor, está em achei um cachorro na rua.

Do outro lado dessa história existe alguém divulgando uma foto e torcendo para que ela chegue a quem viu o animal. É para isso que serve o anúncio segmentado por localização: ele entrega o alerta no celular de quem mora ou circula em volta do ponto do sumiço, inclusive de quem socorreu um bicho na rua e não sabe de quem ele é.

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E se fui eu que atropelei?

Pare, socorra e deixe o seu contato. Um animal que atravessa de repente pode não dar tempo de frear, e isso acontece com quem dirige com cuidado. Ir embora é que muda a história.

  • Não discuta culpa na calçada. Se o tutor estiver ali, a prioridade dos dois é a clínica.
  • Registre o que aconteceu: fotos do local, horário e contato de quem viu.
  • Se ninguém se apresentar como dono, siga os passos da seção anterior. Você é a única pessoa que sabe onde aquele animal está.

O medo de ser cobrado ou acusado é o que faz muita gente seguir viagem. Para um tutor que passou a noite procurando, porém, a pessoa que socorreu e avisou é quem encerra a pior parte da busca, mesmo quando a notícia é ruim.

O que não fazer?

Nada que ponha você em risco ou que piore a lesão.

  • Não corra atrás do animal que se levantou. Ele vai para a pista.
  • Não dê remédio de gente, nem analgésico, nem anti-inflamatório.
  • Não tente alinhar pata quebrada nem limpar ferimento profundo.
  • Não aproxime o rosto nem abrace. A dor faz morder.
  • Não deixe na porta de uma clínica fechada. Se não puder ficar, ache quem possa.

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Perguntas Frequentes

Atropelei um cachorro e ele saiu correndo. O que eu faço?

Pare em local seguro e anote o ponto exato e o horário. Animal atropelado corre mesmo ferido: no caso de Recife citado no artigo, quem socorreu contou que o cão saiu mancando e correndo assustado, com uma pata quebrada. Olhe embaixo de carros e em vãos próximos, sem correr atrás, e avise quem mora ou trabalha naquele trecho. Depois publique nos grupos do bairro o que aconteceu, com a descrição do animal. Se ele tiver tutor, essa informação diz onde procurar, como explica o guia sobre cachorro perdido que pode ter sido atropelado.

O animal já estava morto quando cheguei. Devo fazer alguma coisa?

Deve, se for seguro. Não entre na pista para isso. Se o corpo estiver ao alcance sem risco, veja se há coleira ou plaquinha com telefone, fotografe o animal e o local e avise a prefeitura, que costuma ter serviço de remoção. Publicar o aviso nos grupos do bairro, com cuidado na escolha da foto, é o que permite a um tutor parar de procurar. O que os serviços de remoção informam, e o que não informam, está em como saber se o cachorro perdido foi atropelado.

Paguei o tratamento. Posso ficar com o animal?

Não é o pagamento que decide isso. Um animal socorrido na rua pode ter dono, e quem acolhe precisa procurá-lo. Divulgue o achado, peça a leitura de microchip e guarde as notas da clínica. Se o tutor aparecer, as despesas entram na conversa, como mostra o artigo de quem achou um cachorro na rua. Se ninguém aparecer depois de uma busca feita a sério, a adoção passa a ser um caminho.

E se o atropelado for um gato?

O socorro é o mesmo, com dois cuidados a mais. Gato ferido se esconde em silêncio no primeiro vão que encontra, então olhe embaixo de carros, em bueiros e atrás de muros antes de concluir que ele foi embora. E ele se debate ao ser pego: envolva em uma toalha ou em um casaco e use uma caixa fechada para o transporte. O manejo do gato machucado está detalhado em gato que caiu da janela e sumiu.

O animal atropelado é meu. Sou obrigado a levar ao veterinário?

Deixar um animal ferido sem atendimento pode ter consequência para o tutor. Em Rio Verde (GO), em agosto de 2024, a Polícia Civil orientou a tutora de um cão atropelado a levá-lo ao veterinário, voltou três dias depois, constatou que o atendimento não tinha sido feito, resgatou o animal com fraturas graves e autuou a responsável, segundo nota da própria corporação. A nota não cita o artigo de lei aplicado.

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