Pet perdido
Achei uma Calopsita ou Outra Ave: O Que Fazer Agora
Uma calopsita pousou na sua janela ou varanda? Veja como pegar sem assustar, o que oferecer, como achar o tutor e como confirmar quem é o dono.
Neste artigo
Resposta rápida: Calopsita mansa que pousa em janela, varanda ou quintal quase sempre fugiu de uma casa próxima e está sendo procurada. Aproxime-se devagar, sem perseguir, coloque a ave num cômodo fechado e calmo com água, e avise o quarteirão com uma foto, guardando um detalhe sem publicar. Esse detalhe, como a inscrição do anel da pata, é o que confirma quem é o tutor. Se for papagaio, maritaca ou arara, o caminho é outro: ligue para o 190.
Ela apareceu do nada. Uma calopsita na rede da varanda, um periquito no varal, uma ave mansa demais andando pelo quintal. Não tem medo de gente, às vezes assobia, às vezes sobe no dedo. E agora ela está na sua casa, e a dúvida é o que fazer com ela.
Uma calopsita pousou na minha janela. Ela tem dono?
É muito provável que tenha, e que ele more perto. Calopsita é ave de criação, e uma que aparece mansa numa janela saiu de alguma casa.
A lista oficial ajuda a entender. O Anexo 1 da Portaria Ibama 93/1998 relaciona a fauna considerada doméstica, e nela estão a calopsita, o periquito-australiano, o canário-belga, o diamante-mandarim e o diamante-de-gould, ao lado do cachorro e do gato. São aves de casa, não aves da mata.
O comportamento confirma. Em setembro de 2026, em Vitória (ES), uma calopsita amarelada pousou na rede de proteção da varanda de um professor. Ele percebeu que ela estava perdida justamente pela docilidade e pela proximidade com gente, conta o Amo Meu Pet. A ave foi devolvida ao tutor, uma criança autista.
Os sinais de que a ave é de estimação:
- Não foge de gente, ou até se aproxima.
- Assobia, imita sons ou responde à voz.
- Tem um anel numa das patas.
- Procura janela, varanda ou gente, em vez de copa de árvore.
Como pego a ave sem assustar?
Devagar, de lado, sem perseguir. Ave perseguida voa, e a próxima parada pode ser um lugar onde ninguém a alcança.
- Feche o que der antes de chegar perto. Se ela já está dentro de casa, feche portas e janelas do cômodo e desligue o ventilador.
- Tire cachorro e gato do ambiente.
- Aproxime-se aos poucos, falando baixo. No caso de Vitória, o professor abriu uma pequena passagem na rede e foi chegando lentamente, para não espantar a ave.
- Ofereça o dedo ou o antebraço na altura das patas, sem agarrar. Ave mansa costuma subir sozinha.
- Se ela não subir, ofereça comida e água num ponto calmo e espere. Não use rede, pano jogado nem mangueira.
- Leve para um cômodo fechado, e só depois solte da mão.
Se ela voar para um lugar alto, vale o método do guia de ave no telhado ou na árvore: comida à vista, silêncio e paciência.
Onde deixo a ave e o que dou de comer?
Num cômodo fechado, quieto, com água fresca. Nos primeiros dias, menos estímulo é melhor.
O médico-veterinário Enore Augusto Massoni, que atende animais silvestres no complexo veterinário do CEUNSP, explicou à revista Cães e Gatos que aves são muito suscetíveis ao estresse de mudança de ambiente, e que nos primeiros dias se deve evitar muitos estímulos, barulho, luzes e cheiros.
Na prática:
- Água limpa sempre.
- Comida de calopsita: segundo o veterinário, a alimentação adequada é composta por legumes, frutas, vegetais, sementes e ração. Uma mistura de sementes para calopsita, de qualquer pet shop, resolve os primeiros dias.
- Não ofereça pão, biscoito, leite e derivados, chocolate nem café. O veterinário também aponta o abacate como potencialmente tóxico para essas aves.
- Nada de ave solta sem alguém olhando. Ele alerta para acidentes com eletrodomésticos, como ventiladores.
- Uma gaiola emprestada ajuda. Vizinho, pet shop do bairro ou clínica costumam ter uma.
Como encontro o tutor?
Avise primeiro quem está perto. Quem perdeu uma ave costuma procurar no próprio quarteirão, e é comum a ave pousar a poucas ruas de onde saiu.
Em abril de 2025, em Campo Grande (MS), a calopsita Neguinho sumiu num sábado e foi devolvida no domingo por um vizinho do bairro, que bateu palmas no portão da tutora com a ave, segundo o Campo Grande News. Foi uma conversa entre vizinhos que resolveu.
- Fotografe a ave, mostrando cor, crista e tamanho.
- Guarde um detalhe para você. Não publique a inscrição do anel, uma mancha fora do lugar, uma unha diferente ou uma palavra que a ave fala.
- Avise porteiros, vizinhos e o comércio da rua. Pergunte se alguém comentou ter perdido uma ave.
- Olhe os portões e as portarias em volta. Em 2017, em Vicente Pires (DF), a calopsita George foi parar num condomínio diferente do da tutora. Quem a acolheu viu o cartaz plastificado que ela tinha colado no portão e ligou para o número, conta o Correio Braziliense. O reencontro levou 17 dias.
- Deixe o aviso em clínicas veterinárias e pet shops do bairro. É onde o tutor costuma perguntar.
- Publique nos grupos do bairro e de pets perdidos da cidade, com a foto, a rua e a data.
O aviso precisa dizer onde e quando a ave apareceu. É por aí que o tutor reconhece o caso antes mesmo de ver a foto.
Como confirmo que a pessoa é mesmo a dona?
Pedindo o detalhe que você não publicou. Calopsitas da mesma cor são quase idênticas, e nem o próprio tutor reconhece só por uma descrição.
Um caso de maio de 2025 mostra isso pelo outro lado. No bairro Savassi, em Belo Horizonte, uma família procurava a calopsita Amora quando alguém ligou avisando que tinha achado a ave. A tutora foi até lá e constatou que era outra calopsita, da mesma espécie, que não era a dela, relata o Estado de Minas. Ela ficou cuidando da ave enquanto procurava o dono verdadeiro.
O que serve de confirmação:
- A inscrição do anel da pata, se houver. Fotografe sem forçar a pata e não divulgue. Quem comprou a ave anilhada costuma ter esse registro, ou sabe ao menos a cor do anel e em qual pata ele está.
- Fotos antigas, em que a mesma mancha ou falha de pena apareça.
- O que a ave fala, assobia ou faz, descrito antes de a pessoa vê-la.
- A reação da ave à voz de quem chega.
Se a pessoa acertar, devolva. Se errar, agradeça e continue procurando. Não há motivo para constrangimento: confirmar protege a ave e protege o tutor de verdade.
E se a ave for papagaio, maritaca ou arara?
Aí o caminho é outro: não recolha por conta própria e ligue para o 190. Papagaios, maritacas e araras não estão na lista de fauna doméstica.
A página de perguntas frequentes da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina explica que só é permitido ter papagaio comprado em criadouro comercial legalizado, com nota fiscal que traga a identificação individual do animal, e que o mesmo vale para maritacas, araras e outros psitacídeos. Para animal silvestre dentro da residência, a orientação da corporação é evitar a aproximação, não manipular e comunicar pelo 190.
Um papagaio manso que aparece no quintal pode, sim, ser de alguém que o comprou legalmente e o procura. Vale fotografar e avisar o quarteirão do mesmo jeito. Mas quem decide o destino dele é o órgão ambiental, com a nota fiscal do tutor na mão, e em outros estados o telefone e o procedimento podem variar.
Preciso me preocupar com doença?
Com higiene, sim. Com pânico, não. Existe uma doença de aves que passa para pessoas, e a ave pode carregá-la sem parecer doente.
A Clínica Veterinária Palma, de Florianópolis, explica que a clamidiose, também chamada psitacose, é causada por uma bactéria e é uma zoonose. A transmissão acontece principalmente pela inalação de partículas das fezes secas ou das secreções respiratórias, e muitas aves carregam a bactéria por meses sem nenhum sintoma.
O cuidado é simples:
- Lave as mãos depois de mexer na ave, na gaiola ou na comida dela.
- Umedeça a sujeira antes de limpar, para não levantar poeira, como recomenda a clínica.
- Se há outras aves em casa, mantenha a recém-chegada em outro cômodo. Para ave nova, a clínica recomenda pelo menos 30 dias de observação separada.
- Febre, dor de cabeça forte e tosse seca em alguém da casa, depois do contato, pedem médico, com o aviso de que houve contato com ave.
Quem acolhe uma ave perdida faz o que o tutor mais queria que alguém fizesse. Do outro lado dessa história costuma haver uma família inteira olhando para o céu. Algumas horas de cuidado e um aviso bem feito no quarteirão são o que dá a ela a chance de voltar para casa.
Perguntas Frequentes
Posso ficar com a calopsita se ninguém aparecer?
Antes de pensar nisso, procure de verdade: foto no quarteirão, porteiros, comércio, clínicas, grupos do bairro, por vários dias. A ave não passa a ser de quem a encontrou só por ter pousado na janela, e o tutor pode demorar a ver o aviso. Guarde as fotos e as datas do que você divulgou. O que vale para quem acha um animal está explicado em achei um cachorro na rua.
A ave está muito quieta, arrepiada ou machucada. O que eu faço?
Leve a um veterinário que atenda aves no mesmo dia. Aves costumam esconder os sinais de doença, então uma ave visivelmente abatida já pode estar mal há algum tempo. Não dê remédio por conta própria e não force comida nem água no bico. Mantenha a ave num lugar quieto e sem corrente de ar até a consulta.
Alguém ligou dizendo que a ave é dele. Onde faço a entrega?
Primeiro confirme, pelo telefone, o detalhe que você não publicou. Confirmado, combine a entrega num lugar movimentado, como a portaria do prédio ou a recepção de uma clínica veterinária, e leve a ave numa gaiola ou caixa fechada, nunca solta no ombro ou na mão. Se a pessoa não souber descrever a ave, não entregue.
Fui eu que perdi a ave. Por onde começo?
Se ela está à vista num lugar alto, siga o guia de como fazer a ave descer. Se sumiu de vista, avise quem mora na direção do voo e leve a foto ao quarteirão no mesmo dia, porque a ave costuma pousar perto e quem a acolhe não sabe de quem ela é. Por que o aviso entre amigos não chega a esse vizinho está em divulguei o pet perdido e ninguém viu.
A ave não se deixa pegar e continua no meu quintal. E agora?
Não insista. Deixe água e a comida num ponto coberto e tranquilo, fotografe de longe e avise o quarteirão mesmo assim: o tutor, com a voz e a gaiola que a ave conhece, tem muito mais chance de recolhê-la do que um estranho. Se a ave estiver presa em linha, fio ou vão, ou ferida, a situação passa a ser de Corpo de Bombeiros, pelo 193.
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