Pet perdido
Ave Fugiu e Está no Telhado ou na Árvore: Como Fazer Descer
Sua ave fugiu e está no alto de uma árvore ou telhado? Veja o que não fazer, como atrair para baixo, o melhor horário e quando chamar o 193.
Neste artigo
Resposta rápida: Não suba e não tente alcançar a ave: perseguida, ela voa mais alto ou mais longe. Fique parado e em silêncio, afaste curiosos, ponha a gaiola dela aberta, com comida e água, à vista, e use a voz e os sons que ela conhece. As melhores horas são o fim da tarde e o amanhecer. Só ligue para o 193 se a ave estiver presa em linha, fio ou vão, ou ferida.
Ela está ali. A calopsita no galho, o papagaio na cumeeira do vizinho, a poucos metros de quem chama e fora do alcance de qualquer mão. Ela olha, às vezes responde, e não desce. Quase todo instinto do tutor nessa hora (subir, gritar, correr de um lado para o outro) empurra a ave para mais longe.
Achei minha ave no alto de uma árvore ou telhado. O que faço primeiro?
Fique onde está, calmo, e não tire os olhos dela. Uma ave que se sente perseguida sobe mais ou voa para longe, e um minuto sem vê-la pode ser o último em que se sabe onde ela está.
- Não perca a ave de vista. Se houver mais gente, revezem: uma pessoa só olha para ela. Fotografe a árvore ou o telhado, com a rua e as casas em volta, para achar o lugar de novo no escuro.
- Afaste curiosos e barulho. Barbara Heidenreich, treinadora profissional de aves e ex-presidente da International Association of Avian Trainers and Educators, lembra que uma ave assustada pode não querer voar para o meio de uma multidão de estranhos.
- Fale baixo, sem gritar. O guia de papagaio fugido do Omlet manda chamar a ave com voz suave o tempo todo.
- Não jogue nada, não use rede e não jogue água. O mesmo guia diz que gritar, atirar objetos ou molhar a ave costumam causar pânico e fuga. O Diário de um Papagaio também desaconselha rede e gestos bruscos.
- Não suba atrás dela. A aviculturista Liz Wilson, no blog da Northern Parrots, recomenda não subir em árvore a menos que haja certeza de segurança, porque uma queda coloca em risco a pessoa e a ave. Sem preparo, o resgate de uma ave vira dois problemas.
Por que minha ave não desce, mesmo me conhecendo?
Porque o alto é onde uma ave assustada costuma se sentir a salvo, e descer significa arriscar um pouso em lugar desconhecido. O Agron observa que calopsitas costumam pousar em locais altos. Barbara Heidenreich acrescenta que a ave pode ficar com medo demais até para subir num poleiro diferente do que conhece.
Um caso de julho de 2025 mostra o quanto isso pode se prolongar. Em Pouso Alegre (MG), uma arara-canindé de 15 anos ficou dois dias no alto de uma árvore com mais de vinte metros, sem descer e sem comer, segundo a reportagem do Terra do Mandu. A tutora chamou o Corpo de Bombeiros, que tentou duas vezes uma retirada com técnicas de arborismo. Nas duas vezes, a arara voou por conta própria, e os bombeiros concluíram que ela não estava ferida e voava com plena capacidade.
No fim, uma empresa cedeu um guindaste com equipe, e a tutora subiu com equipamento de segurança. A arara não a reconheceu de capacete. Só depois que ela o tirou e foi falando é que a ave respondeu à voz e ao toque e se deixou pegar.
Dois recados desse caso. O primeiro: a ave precisa reconhecer quem chega perto, então voz, rosto e cheiro familiares valem mais que qualquer técnica. O segundo: foi guindaste, equipe e segurança, não uma escada emprestada.
E se ela voar e sumir de vista?
Anote a direção, o horário e o tipo de lugar onde ela pousou por último, e avise quem mora naquele lado. Quem anda na rua costuma olhar para a frente e para o chão, então uma ave na copa de uma árvore passa despercebida.
- Anote a hora e a direção do voo, e qual foi a última árvore ou telhado.
- Percorra com calma nessa direção, olhando para cima: copas, cumeeiras, caixas d’água, fios. O Agron sugere levar binóculos.
- Avise porteiros, vizinhos e comércio daquele lado e peça que olhem para cima, não só para o chão.
- Comece o cartaz, com foto nítida da ave e o telefone.
Divulgar nas primeiras horas faz diferença, porque quem viu a ave não sabe que ela tem dona. Se o aviso ficar só no seu círculo de amigos, ele não chega a quem mora no quarteirão onde ela pousou. Esse problema está explicado em Divulguei o pet perdido e ninguém viu.
Como faço a ave descer sozinha?
Deixe o chão mais atraente que o galho: a gaiola dela aberta, com comida e água, à vista, e você parado e em silêncio, sem ir até ela.
- Ponha a gaiola dela num lugar visível e aberto, com a porta aberta, a comida preferida e água fresca. O Agron recomenda exatamente isso, e Liz Wilson sugere pôr a gaiola do lado de fora, à vista, no quintal, com comida e água.
- Se há outra ave em casa, leve-a numa gaiola fechada e segura. Omlet, Heidenreich e Wilson citam a ave companheira como atrativo.
- Use a voz e os sons que ela conhece: o nome, o assobio de sempre, gravação do canto da espécie tocada no celular. O Agron e o Omlet dão o mesmo conselho.
- Leve a pessoa de que a ave mais gosta, se não for você, segundo Heidenreich.
- Ofereça só o que ela conhece. Poleiro e vasilha de sempre, sim. Objeto estranho erguido até a ave costuma assustar, avisa Heidenreich.
- Pense em degraus curtos. Posicione a gaiola ou o poleiro para que a ave precise de um voo ou salto pequeno até um ponto mais baixo, e não de uma descida íngreme.
Liz Wilson ainda sugere um método curioso: armar um piquenique embaixo da árvore e conversar animado, rindo e fazendo barulho de quem come, o que pode despertar a vontade de participar. É uma dica de aviculturista, sem garantia, mas custa pouco e mantém você parado.
Qual é a melhor hora para tentar?
O fim da tarde, pouco antes do pôr do sol, e o amanhecer. Heidenreich diz que os papagaios costumam voar de novo pouco antes de o sol se pôr, e é a última chance antes de a ave se ajeitar para dormir. O Omlet lembra que, quando a luz se apaga, ela começa a se acomodar. E o Agron aponta o amanhecer e o entardecer como os horários em que a calopsita fica mais ativa e pode cantar.
Na prática:
- Chegue antes do fim da tarde, com a gaiola já posta e a comida à vista.
- Se a ave dormiu no alto, volte ao primeiro clarão do dia. É outro dos horários em que ela costuma ficar mais ativa.
- Se a busca entrar pela noite, vá acompanhado.
Quando é caso de chamar o Corpo de Bombeiros?
Quando a ave está presa, machucada ou claramente incapaz de voar, não quando ela apenas está no alto. O critério é o mesmo já explicado em pet sumiu no condomínio: o 193 é para animal visível, mas preso ou incapaz de sair sozinho.
A página oficial do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais lista entre as ocorrências do 193 a retirada de animais presos em locais perigosos, e orienta que problemas com animais em geral passem pelo serviço de controle de animais do município. Em outros estados o critério pode variar, então vale confirmar com a corporação local.
Um caso que se encaixa: em junho de 2025, em São Sebastião (SP), os bombeiros subiram numa árvore, com escada e técnicas de salvamento em altura, para retirar um papagaio preso por linhas de pipa enroladas nas patas, nas asas e no pescoço, segundo o T7 News. Ali a ave não tinha como se soltar sozinha.
O caso de Pouso Alegre, ao contrário, mostra o que acontece com uma ave saudável e livre: ela voa quando alguém se aproxima. Se a ave está enroscada em linha, fio ou vão, ou visivelmente ferida ou sem conseguir voar, ligue para o 193. Se está apenas alta, vale o método da gaiola, da voz e do horário.
Como pego a ave quando ela desce?
Deixe que ela entre na gaiola ou suba na sua mão por vontade própria, e feche a porta com calma. Agarrar não ajuda: o Diário de um Papagaio avisa que a ave assustada foge ainda mais longe.
- Não force. O biólogo Tiago Calil, ouvido pelo blog da Cobasi num texto sobre amansar calopsita, orienta a não forçar a interação.
- Para a ave subir na mão, a técnica que ele descreve é direcionar o dedo indicador até as patas e insistir com movimentos leves até ela se empoleirar.
- Feche a gaiola sem barulho e deixe a ave num lugar quieto, com água e comida.
- Se houver ferimento ou a ave parecer abatida, leve a um veterinário de aves.
Se ela fugiu numa porta aberta por um segundo, não se culpe. Ave sai no tempo de um descuido, e isso acontece com tutor atento. O que importa agora é ficar calmo, dar tempo e deixar que ela decida descer.
Perguntas Frequentes
A Prolpet atende ave, ou só cachorro e gato?
Atende. A página inicial da Prolpet mostra reencontros de pássaros em Balneário Camboriú (SC), Caraguatatuba (SP), Santo André (SP) e Curitiba (PR). O que a Prolpet faz é levar o anúncio, com a foto e a descrição da ave, ao celular de quem mora e circula no raio do sumiço. Nenhum serviço pode prometer o reencontro, de ave ou de qualquer outro animal.
A ave está no telhado ou no quintal do vizinho. Posso entrar?
Só com autorização. Bata palma no portão ou ligue, conte que a ave é sua e peça licença. Entrar sem avisar gera confusão e assusta a ave. Se ninguém atender, não pule o muro nem suba no telhado: mantenha a ave à vista e volte com a gaiola no fim da tarde.
Ela não responde e não se mexe. Já foi embora?
Nem sempre. A aviculturista e treinadora Liz Wilson observa que, ao anoitecer, muitos papagaios preferem não voar nem vocalizar, justamente para não chamar a atenção de predadores. Silêncio não prova que a ave saiu do lugar. Continue vigiando até escurecer e volte ao amanhecer, um dos horários em que a ave costuma ficar mais ativa.
Vi uma ave que parece de estimação no meu telhado ou quintal. O que eu faço?
Não persiga nem tente pegar. Deixe água e comida num ponto coberto e tranquilo, fotografe a ave de longe, mostrando cor, tamanho e marcas, e avise o quarteirão: porteiros, comércio, grupos do bairro. Quem perdeu uma ave costuma procurar por perto, e a foto é o que permite a essa pessoa reconhecê-la. Se ela parecer ferida ou presa, aí sim a situação é de 193.
Como evito que fuja de novo e como ensino a descer quando chamada?
Portas e janelas fechadas ou com tela, e a ave sempre supervisionada quando estiver fora da gaiola. O Agron lembra que calopsita solta não deve ficar perto de porta ou janela aberta. Sobre o chamado, o blog Diário de um Papagaio afirma que treinar a ave para descer, antes de qualquer fuga, melhora muito a recuperação quando ela fica presa no alto. Se a ave nunca aprendeu, um adestrador de aves pode orientar.
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