Cachorro
Recolheram Meu Cachorro e Ele Não Está Onde Disseram
Alguém recolheu seu pet e disse que o levaria a um lugar, mas ele não chegou. Veja o que cobrar, o que registrar e o que o TJSP decidiu num caso real.
Neste artigo
Resposta rápida: Volte a quem recolheu no mesmo dia e peça o destino, o horário e o registro por escrito. Confira o local pessoalmente, faça boletim de ocorrência se o animal não estiver lá e continue a busca em volta do ponto onde ele foi pego. Em janeiro de 2026, o TJSP divulgou a condenação de uma concessionária que disse que levaria um cão ao centro de zoonoses e o animal nunca apareceu.
Um cachorro some durante uma chuva forte. Dias depois, alguém o vê numa alça de acesso de rodovia e liga para o 0800 da concessionária. Um funcionário chega, recolhe o animal e diz que vai levá-lo ao centro de zoonoses. A tutora percorre as unidades da região, e o cachorro não deu entrada em nenhuma.
Foi esse o caso que o Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou em 1º de janeiro de 2026. A decisão aparece mais abaixo. Primeiro vem a pergunta de quem está nessa situação agora: o animal foi achado, alguém assumiu levá-lo a um lugar e o lugar não tem o animal. O que se faz nas próximas horas decide se ainda dá para refazer o caminho dele.
O que fazer quando disseram que levaram meu pet a um lugar e ele não está lá?
Volte a quem recolheu no mesmo dia, peça o destino e o registro por escrito, confira o local pessoalmente e continue procurando em volta do ponto onde ele foi pego. A ordem importa, porque a lembrança de quem atendeu a ocorrência tende a se perder rápido.
- Descubra quem recolheu e por qual canal. Pode ser a concessionária da rodovia, a prefeitura, a guarda municipal, os bombeiros ou uma clínica. Quem achou o animal costuma ter o número chamado, o horário da ligação e o protocolo.
- Peça por escrito para onde o animal foi levado. Por e-mail ou WhatsApp, com data, hora e nome de quem atendeu. Pergunte também se o procedimento foi recolher o animal ou apenas afastá-lo da pista. Resposta de telefone sem registro vale pouco quando for preciso provar o que foi dito.
- Vá ao destino informado, com foto do pet e documentos. Ligar não basta. O passo a passo do canil está no guia sobre o CCZ que recolheu o pet. Peça que confiram a entrada naquele dia e naquela hora e que leiam o microchip de qualquer cão sem identificação.
- Se não houve entrada, volte à empresa com esse dado. Em vez de aceitar “foi levado”, pergunte quem levou, em qual veículo e a que horas o animal deveria ter chegado.
- Faça boletim de ocorrência com o horário em que o animal foi visto, quem recolheu, o destino informado e a ausência dele no local. O guia do boletim de pet perdido explica o que cabe nele.
- Guarde tudo: prints, e-mails, áudios, número do protocolo e fotos do animal.
Nada disso exige supor má-fé. Pode ter sido erro de registro, entrega em outro lugar ou só afastamento da pista. O objetivo é descobrir qual dos três.
O animal pode ter sido só afastado da pista, e não recolhido?
Pode, e a diferença muda onde procurar. Afugentar é tirar o animal de perto da pista, e ele continua solto na região.
No caso julgado em São Paulo, a concessionária alegou que o procedimento padrão seria apenas afugentar o animal, segundo a Rádio Itatiaia. Em Minas Gerais, a Agência Minas informou em março de 2026 que os protocolos das concessionárias incluem tanto o afugentamento para áreas seguras quanto o resgate com encaminhamento ao veterinário, e que animais domésticos podem ser destinados à adoção.
Ou seja, existem pelo menos três destinos possíveis: continuar solto por perto, ir ao veterinário ou seguir para adoção. Por isso a pergunta “foi recolhido ou afugentado?” vem antes de qualquer outra.
Como continuar a busca sem saber onde o animal está?
Trate o lugar onde ele foi pego como o novo centro da busca. É o último ponto confirmado em que alguém o viu, e a lógica é a mesma de qualquer avistamento posterior ao sumiço.
O raio da busca a pé e da divulgação sai da casa do tutor e passa a girar em volta desse ponto. Perto de rodovia, a busca segue as regras do guia sobre cachorro que fugiu depois de acidente de carro: de dia, acompanhado, nunca na pista nem no acostamento. Avise moradores, comércio e postos do trecho, com foto e telefone.
Um anúncio segmentado por localização permite desenhar o raio em volta do ponto da ocorrência, mesmo que ele fique em outra cidade, e levar a foto ao celular de quem mora e circula ali. Nenhum serviço pode prometer o reencontro, mas a foto só chega a quem está perto quando o raio é posto no lugar certo.
O que o TJSP decidiu no caso do cachorro que não chegou ao centro de zoonoses?
O tribunal entendeu que a fuga do animal não livra a concessionária de prestar o serviço que ela mesma assumiu, e a condenou a pagar R$ 6 mil por danos morais. É uma decisão sobre um processo, não uma regra automática para todos os casos.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, uma cadela shih tzu fugiu de casa durante fortes chuvas e foi encontrada na alça de acesso de uma rodovia. Um funcionário da concessionária recolheu o animal e disse que o levaria ao centro de zoonoses. A tutora procurou a cadela em unidades da região e não a encontrou. A Rádio Itatiaia acrescenta que o caso é de Ribeirão Preto, que a fuga foi em setembro de 2023, que a tutora percorreu as unidades de Ribeirão Preto e de Sertãozinho e que o paradeiro da cadela segue desconhecido.
A relatora, desembargadora Cynthia Thomé, afastou a tese de culpa exclusiva da vítima. Para o tribunal, a falha não está na fuga, e sim na destinação incorreta dada ao animal e na omissão em prestar o serviço como foi informado, o que caracteriza falha na prestação do serviço. A fuga durante a chuva também não rompe a ligação entre o recolhimento e a impossibilidade de localizar a cachorra. A 2ª Câmara de Direito Público decidiu por unanimidade (apelação 1057740-30.2023.8.26.0506), manteve em parte a sentença da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto e reduziu o valor para R$ 6 mil.
O que a decisão não faz: não devolve o animal, não garante indenização em outro caso e não diz que toda empresa responde do mesmo jeito. Ela mostra que “o funcionário disse que levaria” é uma informação que pesa quando existe prova de que foi dita.
Quem achou o animal e ligou para a empresa pode ajudar o tutor?
Pode, anotando na hora o que foi dito e por quem. Sem isso, o tutor depende da memória de alguém.
- O número chamado, o horário da ligação e o protocolo, se a empresa der um.
- O nome ou o crachá de quem chegou e o que estiver visível no veículo, como cor e identificação da empresa.
- O destino informado, nas palavras exatas que a pessoa usou.
- Fotos do animal, de corpo inteiro e do rosto, e do lugar onde ele estava, com o quilômetro ou uma referência.
- Uma ligação no dia seguinte para perguntar se o animal chegou.
Se o animal estiver num lugar seguro para quem o recolhe, outra saída é levá-lo pessoalmente ao canil ou a uma clínica e pedir o comprovante de entrada. O guia de quem achou um cachorro na rua mostra o caminho completo.
Como é quando o registro funciona?
Quando o animal e o destino ficam registrados e o tutor é identificado, o reencontro pode acontecer em poucas horas. Existem dois exemplos, com uma ressalva.
Em 29 de janeiro de 2025, no quilômetro 98 da pista sentido Rio de Janeiro, em Pindamonhangaba (SP), dois cachorros estavam num dos veículos de um acidente. Segundo a CCR RioSP, as equipes colocaram os animais em caixas de transporte e os levaram à base operacional. Depois do fim da ocorrência, a concessionária contatou o tutor, que foi buscar os cães ainda na noite do mesmo dia. A ressalva é que ali o tutor era conhecido, porque os cães estavam no carro dele.
O outro exemplo é uma reportagem de 2022, atualizada em 2023, sobre duas concessionárias paulistas. Ela descreve que o animal permanece sob guarda enquanto o tutor não é localizado, que na devolução o dono assina um termo e que, se ninguém aparece, o animal segue para adoção. Cada concessionária tem o seu protocolo, então isso mostra um fluxo possível, não uma regra geral.
Seja qual for o fluxo, o cadastro do microchip precisa estar certo: com o telefone errado, a leitura não leva ao tutor. O guia sobre o cadastro do microchip desatualizado mostra como conferir.
Posso cobrar a empresa ou o órgão que perdeu o animal?
Dá para discutir na Justiça, mas o que pesa é a prova do que foi dito e do que aconteceu depois. Converse com um advogado ou com a Defensoria Pública antes de decidir, levando todos os registros.
Duas precauções. A cobrança não traz o animal de volta, então a busca continua na frente, e é ela que ocupa a maior parte do tempo. E vale evitar postar nas redes o nome ou a foto do funcionário: isso pode virar um problema para você e não ajuda a achar o animal.
Quem chega a esse ponto já descobriu a parte mais difícil, que é saber que o animal foi visto vivo e levado por alguém. Falta saber onde ele está agora. Isso se resolve com registro, com visita ao local e com a busca seguindo perto do ponto onde ele foi visto pela última vez. E não há culpa em ter confiado no que ouviu: quem recolhe um animal e informa um destino espera, com razão, ser levado a sério.
Perguntas Frequentes
O funcionário disse que o animal foi afugentado. Isso quer dizer que ele não foi recolhido?
Em geral quer dizer que o animal foi afastado da pista e continua solto na região, a não ser que a empresa informe outra coisa por escrito. Pergunte quando isso aconteceu e para que lado ele foi, e trate o ponto como um avistamento. Se alguém voltar a ver o cachorro, o guia sobre o cachorro que foge do próprio tutor mostra como se aproximar sem espantá-lo.
A concessionária é obrigada a avisar o tutor quando recolhe um animal?
Nenhuma das fontes lidas para este artigo fala em obrigação de avisar o tutor por conta própria. Nos casos descritos, o aviso aconteceu quando a empresa já sabia quem era o dono, como no acidente em que os cães estavam dentro do carro. Quando o tutor é desconhecido, a iniciativa de perguntar costuma ser dele.
Como saber se leram o microchip do animal recolhido?
Pergunte direto e peça a resposta por escrito. Se o cadastro do chip estiver errado ou em nome de outra pessoa, a leitura não chega até você, e o guia sobre o cadastro do microchip desatualizado mostra como conferir e corrigir.
Quanto tempo a empresa pode ficar com o animal recolhido?
Não há um prazo único. Uma reportagem de 2022 descreve duas concessionárias paulistas que mantêm o animal enquanto o tutor não é localizado e, se ninguém aparece, o encaminham para adoção. Nos canis municipais o prazo costuma ser de poucos dias, como explica o guia sobre o CCZ que recolheu o pet. Pergunte à empresa em questão e peça a resposta registrada.
Devo parar a divulgação enquanto a empresa responde?
Não. A resposta pode demorar dias, pode dizer que o animal foi apenas afugentado ou pode estar errada. A busca e a divulgação continuam em paralelo com a cobrança, e o guia sobre por que ninguém viu o seu post explica como fazer a foto chegar a quem está perto do ponto.
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