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Meu Cachorro Mordeu Alguém e Fugiu: O Que Fazer

Seu cachorro mordeu alguém e sumiu? Veja o que fazer pela pessoa, por que a observação de 10 dias depende dele e como procurar o cão.

Neste artigo

Resposta rápida: Avise a pessoa mordida de que o cão é seu, peça que ela lave o ferimento com água e sabão e procure atendimento, e informe o serviço de saúde de que o cão sumiu. O Ministério da Saúde pede que cão ou gato que morde seja observado por 10 dias, quando possível, e sem o animal essa observação não acontece. Por isso achar o seu cachorro importa também para a pessoa mordida, não só para você.

Cena de rua residencial ao entardecer: uma mulher sentada na calçada segura um pano rosa na mão, um homem ao lado olha o celular e um cachorro de pelagem preta e caramelo, de boca aberta, está parado na rua diante deles, com um portão de madeira ao fundo

Seu cachorro mordeu alguém e, no meio da confusão, saiu correndo. Agora são duas urgências ao mesmo tempo: uma pessoa ferida que precisa de atendimento e um animal assustado, solto na rua.

A ordem certa é a pessoa primeiro, depois a busca pelo cão e o aviso ao serviço de saúde, que andam juntos. Este guia mostra o que fazer em cada passo, por que a fuga complica o tratamento de quem foi mordido e como procurar o cão sem piorar a situação.

O que eu faço primeiro: cuidar da pessoa ou procurar o cachorro?

Primeiro a pessoa mordida. O Ministério da Saúde orienta que quem sofre agressão de animal procure assistência médica o mais rápido possível e lave o ferimento abundantemente com água e sabão, com cuidado para não agravá-lo.

Se a pessoa ainda está por perto:

  1. Ajude a lavar o ferimento com água e sabão, sem esfregar.
  2. Leve a pessoa à unidade de saúde mais próxima ou indique o caminho, mesmo que a mordida pareça pequena. Quem decide se precisa de vacina é o médico ou o enfermeiro, não você e não ela.
  3. Troque nome e telefone e diga com clareza que o cão é seu.
  4. Anote o que aconteceu: horário, lugar, o que o cão fazia e para onde ele foi.
  5. Só então saia atrás do cachorro, ou peça a alguém que saia, e avise o serviço de saúde de que ele sumiu. O que dizer está mais abaixo.

Se você só soube depois, por um vizinho ou por mensagem, a ordem é a mesma: procure a pessoa e confirme que ela foi atendida.

Como procuro um cachorro que fugiu depois de morder?

Como qualquer cão em pânico, com mais pressa e um cuidado a mais com quem o encontrar. Comece pelo guia das primeiras horas: varrer o quarteirão a pé, perguntar a vizinhos e comerciantes, pedir imagens de câmera enquanto ainda existem. Depois, ajuste três coisas:

  1. Diga no aviso que ele está assustado e que ninguém deve tentar pegá-lo à força. Peça só que a pessoa fique à distância, fotografe, anote o local e ligue para você. Isso protege quem encontrar o cão e protege o próprio cão.
  2. Vá acompanhado e leve guia, coleira e petisco. Um cão em pânico, depois de algum tempo solto, tende a tratar qualquer pessoa como ameaça, inclusive a família. A abordagem de quem avista o animal vale para você: sentar, ficar de lado, não encarar e nunca correr atrás.
  3. Ligue para o centro de zoonoses e para as clínicas veterinárias da região. Se alguém recolheu o animal, é provável que ele esteja num desses lugares. O guia do CCZ mostra o que perguntar e o prazo que o tutor costuma ter.

Aqui o tempo tem um peso a mais, porque cada dia sem o cão é um dia em que a pessoa mordida e a equipe de saúde seguem sem a observação, como a explicação logo abaixo mostra. O que ajuda é levar o aviso rápido a quem está perto do ponto da fuga. É o que o Cerco Geolocalizado da Prolpet faz: anúncios pagos, segmentados por localização, que aparecem no celular de quem mora ou circula no raio do desaparecimento, sem depender de compartilhamento. A Prolpet aumenta o alcance da busca, mas não promete reencontro.

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Por que a fuga do cachorro complica o tratamento de quem foi mordido?

Porque o protocolo de raiva depende de poder observar o animal. Quando a agressão é de cão ou gato, a orientação do Ministério da Saúde é observar o animal por 10 dias, sempre que possível, para ver se ele adoece ou morre. Se ele adoecer, desaparecer ou morrer nesse período, o serviço de saúde deve ser informado imediatamente.

A norma técnica de profilaxia da raiva humana publicada no site do Instituto Pasteur, da Secretaria da Saúde de São Paulo, e atualizada em julho de 2021, mostra a lógica. O caso mais comum hoje é o do cão que pode ser observado e não tem sinais de raiva: nele, a profilaxia não é indicada, e a observação termina no 10º dia se o animal continuar vivo e saudável. Já quando o animal não pode ser observado por 10 dias, ou desaparece durante a observação, a norma manda indicar a profilaxia. O esquema de tratamento é prescrito pelo médico ou pelo enfermeiro, que avaliam a ferida e o caso.

O contexto da própria norma acalma: o vírus da variante canina, historicamente ligado aos surtos de raiva em cães e gatos, não é mais encontrado “no nosso meio”, e hoje a doença chega a esses animais por morcegos e se restringe a casos isolados. Isso não quer dizer que o seu cão tenha raiva, nem que a pessoa vá precisar de todo o tratamento. Quer dizer que o cão sumido tira da equipe de saúde a informação que, no caso mais comum, resolveria a dúvida. É por isso que o sumiço dele deixa de ser só um problema seu.

Um caso de abril de 2025 mostra como o serviço de saúde age quando a observação não é possível. Em Paulista (PE), a diretora de Vigilância Ambiental disse à Folha de Pernambuco que, como não foi possível fazer a observação de 10 dias do cão, a equipe adotou o protocolo completo para as pessoas expostas: a tutora e a filha receberam quatro doses de vacina e o soro. O cão adoeceu e, depois da avaliação, foi submetido à eutanásia, e o exame confirmou raiva. Segundo a tutora, ele havia sido atacado por um timbu. A reportagem não fala em fuga nem em mordida em pessoa, mas o caso mostra por que a equipe prefere a cautela quando falta o animal.

Quem eu preciso avisar, e o que dizer?

Avise a pessoa mordida e o serviço de saúde que cuida dela. Ligue para a unidade onde ela foi atendida ou para a secretaria de saúde da sua cidade e diga:

  • Seu nome e telefone, e o nome da pessoa mordida.
  • Data, horário e lugar da mordida.
  • Que o cão fugiu, a que horas e para que lado.
  • Descrição do cão e uma foto.
  • A situação da vacina antirrábica dele, com o cartão em mãos, se houver.
  • Se o cão caçou algum morcego nas 48 horas anteriores. A norma de São Paulo manda indicar a profilaxia quando o tutor ou a vítima relata isso.
  • O que aconteceu antes da mordida e se o cão mudou de comportamento nos dias anteriores.

A última linha da lista pesa mais do que parece. A norma de São Paulo pede que a equipe avalie as circunstâncias da agressão: ela pode ter um motivo justificável, como reação a maus-tratos, autodefesa ou a índole do animal, ou pode vir de uma mudança de comportamento, que é sugestiva da doença. Entre os sinais que a norma lista estão apatia, agressividade incomum, falta de coordenação, dificuldade de engolir e salivação intensa. Se o seu cão estava assim nos dias anteriores, diga, mesmo que isso pese contra você. A informação protege a pessoa mordida.

E a responsabilidade pelo que o cachorro fez?

Quem responde é o dono, ou quem estava com o cão, e a fuga não costuma afastar isso. O artigo 936 do Código Civil diz que o dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. É a chamada responsabilidade objetiva: não depende de você ter sido descuidado.

Um exemplo: em 2022, a 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do DF manteve uma indenização de R$ 3.500 por dano moral a uma mulher mordida no rosto por um golden retriever, numa chácara. Não foi uma fuga, mas a decisão mostra o raciocínio: sem prova de culpa da vítima nem de força maior, responde quem tinha a guarda do cão. Um texto jurídico de 2022 vai além e sustenta que, quando o animal escapa, presume-se falha de vigilância.

O que fazer com isso, sem pânico:

  1. Fale com a pessoa mordida e ajude no que for imediato, como transporte e remédio.
  2. Guarde tudo: mensagens, recibos, comprovantes e o relato por escrito do que aconteceu.
  3. Procure um advogado ou a Defensoria Pública se houver cobrança formal. Este guia não é orientação jurídica e cada caso muda o resultado.

O que eu nunca devo fazer?

Nunca sumir nem negar que o cão é seu. Além de errado, isso atrasa o que a equipe de saúde precisa saber.

  • Não garanta à pessoa que ela não precisa de vacina. Quem decide é o serviço de saúde, depois de avaliar a ferida e o animal.
  • Não espere o cão voltar para avisar a saúde. O aviso vale a partir do dia em que ele sumiu.
  • Não agarre o cão à força quando o encontrar, nem peça isso a outras pessoas.
  • Não publique nome nem foto da pessoa mordida em grupo de bairro ou rede social.

E se eu encontrar o cachorro ou ele voltar sozinho?

Avise o serviço de saúde no mesmo dia e mantenha o cão sob sua vista pelo tempo que a equipe orientar. A observação serve para ver se ele adoece ou morre, e como e onde ela deve ser feita é decisão do serviço de saúde da sua cidade, não sua.

Enquanto isso, observe e anote. Mudança de comportamento, apatia, agressividade incomum, falta de coordenação, dificuldade de engolir ou muita salivação são os sinais que a norma de São Paulo lista como sugestivos de raiva. Se qualquer um aparecer, avise a equipe na hora. Se o cão continuar vivo e saudável, a norma manda suspender a observação no 10º dia e encerrar o caso.

Para o cuidado com o animal em si, depois de dias na rua, vale o guia do cachorro que voltou: consulta veterinária mesmo com ele aparentando estar bem e recepção sem festa.

Esse é um dos piores dias para um tutor, e ninguém precisa carregá-lo sozinho. Cuidar da pessoa, avisar quem decide o tratamento e procurar o cão são a mesma tarefa vista de três lados.

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Perguntas Frequentes

O meu cachorro tem vacina antirrábica em dia. Ainda assim preciso avisar o serviço de saúde?

Precisa. A vacinação anual de cães e gatos é a prevenção que o Ministério da Saúde recomenda, mas a página dele e a norma de São Paulo pedem a observação do animal sempre que possível, e nenhuma das duas cita a vacina do cão como dispensa dela. O cartão de vacinação é uma informação útil para a equipe, e quem decide o que fazer com a pessoa mordida é o médico ou o enfermeiro que a atende.

O cachorro voltou sozinho e parece normal. Posso dizer à pessoa que está tudo bem?

Ainda não. A norma de São Paulo conta os 10 dias de observação a partir da mordida, e um cão que parece bem no segundo dia ainda não completou o período. Diga à pessoa que o cão voltou, avise o serviço de saúde e deixe a conclusão com ele, porque é a equipe que decide se a observação pode terminar e o que muda no tratamento.

Já se passaram dez dias e o cachorro não apareceu. A busca acaba?

Não. Dez dias é o prazo da observação, não o da busca. Se o cão continua sumido, o serviço de saúde segue cuidando da pessoa mordida sem poder observá-lo, e a norma de São Paulo manda indicar a profilaxia da raiva quando o animal não pode ser observado por dez dias. Mantenha a divulgação, leia o guia do cachorro sumido há muito tempo e avise a equipe de saúde se o cão aparecer, mesmo depois do prazo.

Posso divulgar o cachorro perdido sem dizer que ele mordeu alguém?

Pode, e é o comum: o aviso público existe para o cão ser localizado. O que não pode faltar nele é o alerta de que o cão está assustado e de que ninguém deve tentar pegá-lo à força, só avisar você. Já para a pessoa mordida e para o serviço de saúde, a informação sobre a mordida precisa ser completa, porque é com ela que a equipe decide o tratamento.

A pessoa mordida está me cobrando indenização. O que eu faço?

O artigo 936 do Código Civil coloca o dano causado pelo animal na conta do dono ou de quem o tinha sob guarda, e a fuga não costuma afastar isso. Guarde mensagens, recibos e comprovantes do que você ajudou a pagar e procure um advogado ou a Defensoria Pública antes de assinar ou negar qualquer coisa. O mesmo artigo aparece no caso do cachorro que fugiu pelo portão na entrega, com outra situação.

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