Pet perdido

Meu Pet Ficou sob os Escombros: O Que Fazer Agora

Desabamento, explosão ou deslizamento e o pet sumiu? Veja o que dizer aos bombeiros, como achar pelo som e por que levar ao veterinário depois do resgate.

Neste artigo

Resposta rápida: Diga agora a quem coordena o resgate, Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil, que há um animal e onde ele costuma ficar, e peça pausas de silêncio para ouvir: nos casos lidos, o pet foi achado pelo choro ou pelo latido, às vezes só depois de dias. Não cave por conta própria. Depois do resgate, leve ao veterinário no mesmo dia, mesmo sem ferimento visível.

Maquete ao pôr do sol de uma rua com uma parede de tijolos desabada e entulho espalhado, onde um homem de capacete amarelo agachado estende a mão a um cachorro caramelo sentado, enquanto dois personagens de capacete vermelho e camiseta cinza levam o dedo à frente dos lábios pedindo silêncio

A casa caiu, a família saiu, e o cachorro ou o gato ficou lá dentro. No meio de uma tragédia, é fácil achar que o animal é o último assunto. Não é: as equipes só procuram quem alguém avisou que está lá.

Meu pet ficou sob os escombros. Ele pode estar vivo?

Pode, e há casos de vários dias. Em Niterói (RJ), o cachorro Romário foi resgatado com vida na manhã de 21 de outubro de 2026, cinco dias depois de a casa de três andares desabar no Caramujo, segundo o G1. Em Janaúba (MG), em junho de 2025, um filhote ficou cerca de três dias sob uma parede de obra que tombou e saiu sem ferimentos nem sinais de desidratação, de acordo com o Estado de Minas. Em Salvador (BA), em abril de 2024, o cão Mike foi achado cerca de 30 horas depois de um prédio cair numa encosta, quando o tutor já acreditava que ele tinha morrido, segundo o Sindiconet.

Nem todo caso termina assim. Em Olinda (PE), em outubro de 2025, o cachorro Nick passou mais de 35 horas sob as ruínas de oito casas depois de uma explosão, foi achado respirando, mas morreu dois dias depois, e a Prefeitura atribuiu a morte a insuficiência renal aguda, segundo o TNH1. Os casos lidos não permitem prever quanto tempo um animal aguenta. Mostram só que presumir o pior atrasa o aviso, e o aviso é o que começa a busca.

O que eu faço nos primeiros minutos?

Diga a quem coordena o resgate que há um animal, antes de qualquer outra coisa.

  1. Procure os bombeiros ou a Defesa Civil que já estiverem no local, ou ligue para o 193 ou para o 199. A Prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, indica o 199 para desabamentos e pede o endereço completo com ponto de referência, segundo a página do serviço. Confira qual é o número da sua cidade.
  2. Informe a espécie, o porte, o nome e onde o animal costuma ficar na casa: o cômodo, o andar, a cama, o canto da varanda. Isso dá à equipe um ponto de partida.
  3. Diga que ele pode estar lá, mesmo sem certeza. Em Colatina (ES), em janeiro de 2020, não havia vítima humana, e foram os vizinhos que avisaram os bombeiros de que os cachorros podiam estar sob os destroços. A equipe achou três cães feridos, depois de mais de quatro horas, segundo A Gazeta.
  4. Mostre uma foto do animal, para a equipe reconhecê-lo se o encontrar.
  5. Deixe um telefone com a equipe e fique fora da área isolada, perto o bastante para ser chamado.

Não cave nem remova entulho por conta própria. Peça solta cai sobre quem está embaixo, inclusive o animal. Em Janaúba, os bombeiros abriram passagens em pontos diferentes da estrutura e levaram cerca de duas horas para chegar ao filhote, porque troncos e materiais de obra tinham criado vãos que o prendiam, segundo o Estado de Minas.

Como descobrir onde ele está embaixo do entulho?

Pelo som. Nos casos lidos, quem achou o animal foi o ouvido, não os olhos.

  • Niterói: segundo testemunhas ouvidas pelo G1, o tutor, Pablo, reconheceu o choro de Romário e acionou o socorro. A CNN Brasil diz que foram vizinhos que ouviram barulhos. As duas reportagens divergem sobre quem ouviu primeiro, e não divergem sobre o som.
  • Janaúba: um homem que avaliava os danos da obra ouviu o choro e chamou os bombeiros.
  • Salvador: funcionários da prefeitura que demoliam o que restou do prédio ouviram gemidos durante a retirada do entulho.
  • Juiz de Fora (MG): os latidos de um cachorro chamado Pumba foram ouvidos enquanto militares removiam o entulho de uma casa que desabou em fevereiro de 2026, segundo a TMC.

Na prática, peça à equipe pausas de silêncio no local, sem motor, sem máquina e sem conversa, e fale com a voz que o animal conhece. Em Niterói, segundo a nota dos bombeiros relatada pela CNN Brasil, o cão estava assustado e acuado, o que exigiu mais cautela na retirada do entulho, e os donos o chamaram com a própria voz e com comida, o que o acalmou e impediu que ele fosse para áreas de difícil acesso. Marque o ponto exato onde ouvir qualquer som, e avise a equipe na hora.

E se ele não aparece e não faz barulho?

Silêncio não quer dizer que ele morreu, e ele também pode nem estar mais sob o entulho. Animal em pânico costuma se calar, e quem sobrevive à queda pode sair e se esconder perto.

Em Olinda, a tutora Sandra Moura reencontrou a gata Cleo com a ajuda de uma voluntária de ONG que foi ao local do desabamento. O gato Thor foi visto perto das ruínas na segunda-feira por volta das 18h30, de novo por volta da meia-noite e logo cedo na terça, e a voluntária armou uma armadilha de captura perto do ponto onde ele aparecia, segundo o Diario de Pernambuco. Em Jaguaré (SP), a gata Felícia, desaparecida desde a explosão de uma casa em maio de 2026, foi vista pela Defesa Civil quando a equipe se preparava para demolir os imóveis danificados. A foto dela foi compartilhada em grupos da comunidade e a equipe encontrou o morador que a procurava, segundo a CNN Brasil.

Quando a dúvida é se o animal saiu e está escondido pelas redondezas, o problema deixa de ser achar o ponto no entulho e passa a ser avisar quem circula no entorno. Foi o que a foto nos grupos da comunidade fez em Jaguaré: chegou a quem estava por perto. A Prolpet trabalha justamente nessa etapa: segundo a descrição da própria empresa, são anúncios pagos segmentados por localização, que aparecem no celular de quem mora ou circula no raio do desaparecimento. É alcance, e não garantia de reencontro. Para os primeiros passos da busca a pé, o guia das primeiras horas continua valendo.

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Vão demolir ou remover o entulho. Como evitar que o pet se machuque?

Peça, antes de qualquer máquina, que alguém confira se há animal no local. Em Salvador, o cão Mike foi achado por quem fazia a demolição. Em Jaguaré, a gata Felícia foi vista na preparação da demolição. Nos dois casos o achado aconteceu durante a demolição ou na preparação dela, e é por isso que o aviso precisa chegar à equipe que faz esse trabalho, não só à de resgate. Fale com a Defesa Civil e com quem comanda a obra, descreva o animal e deixe o seu telefone.

O pet foi resgatado. O que fazer em seguida?

Leve ao veterinário no mesmo dia, mesmo sem ferimento visível. Nick, em Olinda, estava debilitado quando foi achado e morreu dois dias depois. Em Colatina, os cães foram levados ao hospital veterinário de um centro universitário e só depois de recuperados voltaram para a família. A Itatiaia, ao tratar do resgate de animais após os temporais de Juiz de Fora, diz que animais resgatados precisam de avaliação clínica imediata para checar traumas e sinais de exaustão térmica e desidratação, segundo a reportagem.

Diga ao veterinário quanto tempo o animal ficou sob o entulho, se ficou sem água e se as patas estavam presas, como no caso de Pumba, que foi achado com as patas traseiras presas e sem ferimento aparente, segundo a TMC. Em casa, o cuidado com o animal que volta depois de dias está no artigo sobre o cachorro que voltou e no sobre o gato que voltou.

Perdi a casa. Onde o animal fica enquanto isso?

Em muitos casos, num ponto de acolhimento da prefeitura, e é preciso perguntar por ele. Em Juiz de Fora, segundo o SBT News, médicos-veterinários de um grupo de resposta a animais em desastres procuraram cães, gatos e aves entre os escombros, e os resgatados foram avaliados e medicados numa unidade móvel de emergência. O cachorro Valente teve o tutor localizado, mas o homem também estava sem ter onde ficar, e o animal seguiu para um abrigo. A veterinária Paloma Ambrosio disse que o tutor poderia buscá-lo “daqui uns dias”.

Pergunte à Defesa Civil e à secretaria de bem-estar animal da sua cidade para onde os animais resgatados foram levados. A lógica de ligar para esses órgãos, e não de varrer a rua, é a mesma explicada no artigo sobre pet perdido na enchente.

Perguntar pelo animal no meio de uma tragédia não é descuido com o resto. É o que as equipes esperam que alguém faça, porque sem esse aviso ninguém procura.

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Perguntas Frequentes

Posso entrar na casa interditada para procurar meu pet?

Não sem liberação. Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, a Defesa Civil coordena a retirada de pessoas e o isolamento da área, e o que sobrou de uma estrutura pode ceder de novo. Peça que a equipe procure o animal ou autorize uma entrada acompanhada, e passe o cômodo e o andar onde ele costuma ficar. Quem entra sozinho pode precisar de resgate também.

Não sei se meu pet estava em casa na hora. Aviso mesmo assim?

Avise. Em Colatina (ES), em janeiro de 2020, não havia vítima humana no local, e foram os vizinhos que disseram aos bombeiros que os cachorros podiam estar sob os destroços. A equipe achou três cães feridos, segundo A Gazeta. Para quem coordena o resgate, uma informação que depois se mostra errada custa pouco, e uma que ninguém passou pode deixar o animal esquecido.

Quanto tempo um animal aguenta sob o entulho?

Nenhuma das reportagens lidas permite cravar um prazo. Os casos vão de cerca de 30 horas, em Salvador, a cinco dias, em Niterói, e um cachorro resgatado em Olinda depois de mais de 35 horas morreu dois dias depois. O que se tira daí é que não há motivo para presumir o pior e que cada hora sem aviso à equipe conta contra o animal.

Meu gato sobreviveu e sumiu. A busca muda?

Muda pouco em relação ao cachorro no primeiro momento: avise a equipe e peça silêncio para ouvir. Depois, o gato assustado costuma se calar e ficar escondido perto, como mostra o gato Thor, em Olinda, visto no mesmo ponto em horários diferentes depois da explosão. O guia do gato perdido explica a busca rente ao chão, com lanterna e em silêncio.

O resgate terminou e meu pet não foi achado. Desisto?

Não antes de deixar um contato com a equipe e com os vizinhos. Em Jaguaré (SP), a gata Felícia foi vista pela Defesa Civil só quando a equipe se preparava para demolir os imóveis, cerca de três dias depois da explosão, e a foto dela em grupos da comunidade levou ao tutor. Quem circula pelo entulho e pelas ruas em volta é quem mais provavelmente vai ouvir ou ver o animal. O guia das primeiras horas cobre o resto da busca.

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